Relações duradouras (Refletindo)

17:22


Estava comentado com meus alunos (jovens e adultos do Eja) onde estou tendo a oportunidade de estar esse tempinho com eles, passando um pouquinho do que tenho aprendido nesses quase 4 anos do curso de Letras. E o assunto da literatura girava em torno do romance "Senhora" de José de Alencar onde o tem principal a ser analisado eram os casamentos de antigamente, em sua grande maioria arranjados, feitos como negócios, visando uma possível fortuna que o marido herdaria da família da moça. E começamos a pensar também na durabilidade desses casamentos. Muitos de nós temos ou tivemos pais ou avós que casaram-se segundo os costumes daquela época, muitos não tinham amor logo de cara, muitos nem tinham tempo de se conhecer bem. A família da moça precionava tanto que ela acabava cedendo e casava-se, às vezes até pelo desespero de se achar velha ou que ficaria pra titia e não encontraria outro pretendente facilmente conforme a idade passasse. O fato é que, por algum motivo esses casamentos davam certo! Temos pais e avós com 50, 60, 70 anos de casamento e nunca parecem ter sequer pensado em abandonar um ao outro, o lar, desde o momento em que se dispuseram e fizeram aquele compromisso um com o outro.

No debate em sala, chegamos á conclusão que como os tempos vão mudando e as pessoas tbm, o que acontece nos casamentos e relacionamentos atuais, que os fazem serem tão líquidos, passageiros, sem compromisso uns para com os outros.. É que as pessoas de antigamente eram criadas para o casamento, não tinham liberdade em muitas coisas, mas isso veio da criação deles. De valorizar, de fazer ser duradouro. E, nossa geração está muito acostumada ao descartável.

Sem falar que nossa geração também carrega, em sua grande maioria, o reflexo de termos pais separados, ou somos frutos de uma relação onde só um dos dois fez o papel de pai ou de mãe. Não uma relação em que nos espelhar. Talvez muitos ainda tenham avós ou pais juntos, mas não são maioria. E, a verdade, talvez os exemplos de relacionamentos que acabamos tendo são os de amigos próximos, mas essas relações também não têm sido firmes o suficiente. O que é mais comum do que se imagina, é você ter um casal de amigos que muito ama e admira, mas em um belo dia você sai para uma festa qualquer e dá de cara com um dos dois com outra pessoa, pessoa essa que não é sua amiga. Então você se dá conta que não tem essa de casal de amigos perfeitos, e você jurava que eles seriam a salvação de pelo menos um casamento de amigos próximos.

É claro que, uma hora ou outra você sabe que sua amiga subirá ao altar ou irá a um cartório casar-se com a mesma pessoa e fingir que nada daquilo aconteceu. Porque o que eles chamam de amor é isso. O que parece ser normal infidelidade desde o começo da relação, onde um dos dois acaba sofrendo mais que tudo, mas sempre irá ceder para fazer dar certo á maneira deles. E você sabe que estará lá do lado dela naquele momento porque é importante pra ela, voce estará lá, porque acima de tudo amar também é apoiar quem você ama até nas suas maiores loucuras. E você chega á conclusão que esse amar à maneira deles e da maneira atual não foi feito pra você. Talvez tenha nascido na época errada, afinal. Não conseguiria levar uma relação adiante onde faltasse confiança, fidelidade e respeito já no começo. 

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1 comentários

  1. As pessoas ainda precisam aceitar que nenhum ser humano é perfeito, que pra amar precisa-se amar também os defeitos do outro. E para que haja o AMOR, primeiramente buscar o respeito por si e pelo outro, pois nenhuma relação entre seres humanos sobreviveria sem o respeito.

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